Meu ano novo no Refúgio Ecológico Pedra Afiada

Sobre como passamos a virada de 2025 para 2026 cercado de coisas lindas e pessoas queridas num paraíso em meio à natureza

“Mãe, já escreveu o postão?” Esta foi a pergunta que eu mais ouvi desde que começou 2026. No dia 2 de janeiro, ao deixarmos o Refúgio Ecológico Pedra Afiada (REPA), onde passamos os últimas dias de 2025 e celebramos a chegada do ano novo, prometi à Ana Cláudia, sócia do marido Jean na construção e manutenção do maravilhoso recanto no pé do cânion Malacara, em Santa Catarina, que faria um “postão” (aumentativo de post, não de posto, bem entendido) para contar sobre a nossa experiência.

A cada experiência vivida naqueles cinco dias, pensava que a temporada valeria uma incrível redação de “Minhas férias” em uma hipotética volta às aulas. Testemunhada pela Lina, a filhota de 13 anos, a promessa vem sido cobrada pelo menos uma vez ao dia desde então. Quase um mês depois (o que mais demorou foi a escolha das fotos, confesso), aqui está.

Alerto que esta não é uma avaliação imparcial. Eu sou fã do REPA desde o nascimento dele. Aliás, desde antes. Porque conheci os “pais” desse paraíso muito antes deles sonharem construir isso tudo. A Ana Cláudia era uma das minhas melhores amigas durante toda a faculdade de jornalismo — nos formamos juntas na PUCRS, no final de 1995 — e me apresentou o Jean (surfista que estudava engenharia civil) quando começou a namorar com ele no começo daquele ano.

Em 2002, quando o refúgio estava começando, os dois passaram uma semana hospedados comigo e o Márcio no apartamento em que morávamos na Vila Madalena, em São Paulo, para participar de uma feira de ecoturismo. Junto com eles, o pequeno Bernardo, com apenas 10 meses de idade, mas já aventureiro. O bebê esperto e doce que foi só diversão naqueles dias se tornou um adulto querido e competente, a quem confiei sem receio algum a segurança da nossa família durante uma trilha de quatro quilômetros rio acima e rio abaixo há algumas semanas. Depois do Bê, veio o Igor e, sete anos depois, o Caio, completando essa família linda que a gente adora e considera meio nossa também.

Cá entre nós, minha intenção inicial era simplesmente dizer aos meus poucos (porém qualificados) leitores o quanto uma ida ao Pedra Afiada vale a pena, sob qualquer pretexto, e em qualquer período do ano, como quem se hospeda lá fez e faz há anos. Não é à toa que muitos já tenham passado pela experiência mais de uma, duas, três vezes. Nós mesmos somos reincidentes, depois de termos nos divertido muito no Carnaval de 2015, com a Lina de 2 anos e 10 meses de idade. Nem todos os nossos encontros com a Ana e sua turma acontecem lá, mas é evidente o quanto eles pertencem ao ambiente do Repa e vice-versa.

O REPA fica na catarinense Praia Grande (que não tem praia, nem é grande), logo depois da divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, um dos destinos de ecoturismo mais emblemáticos do Brasil por estar literalmente no “pé” dos cânions do Parque Nacional da Serra Geral.

A estrutura do Pedra Afiada tem uma combinação de imersão profunda na natureza com conforto e sustentabilidade. Vale tanto para aventureiros acostumados com trilhas e esportes na natureza quanto para pessoas como eu (criança de apartamento que curte uma aventura com risco mínimo e aconchego com cama boa, banho bom e comida boa na volta).

Se eu fosse uma IA, citaria os principais motivos para visitar, em tópicos:

1. Localização privilegiada (dentro dos cânions)

Diferente de Cambará do Sul (onde a gente vê os cânions de cima), em Praia Grande ficamos na base. O refúgio fica de frente para o Cânion Malacara, oferecendo uma vista monumental dos paredões de basalto diretamente da janela do quarto ou da varanda da cabana ou do bangalô, dependendo da acomodação escolhida.

Lá em cima é Rio Grande do Sul, aqui embaixo, Santa Catarina

2. Atividades de aventura e ecoturismo

A pousada funciona como um centro de aventura, com guias próprios (entre eles os três guris que praticamente nasceram e foram criados lá dentro, Bernardo, Igor e o mascote Caio) e atividades para todos os níveis:

  • Trilha do Rio do Boi: uma das caminhadas mais famosas (e desafiadoras) do Brasil, feita pelo leito do rio no interior do Cânion Itaimbezinho.
  • Poço do Malacara: uma trilha mais leve que leva a piscinas naturais de águas cristalinas.
  • Aventuras no local: tirolesa, arvorismo, rapel na Cachoeira da Onça e passeios de quadriciclo ou 4×4.
  • Balonismo: a região é o maior polo de voos de balão do Sul do país, proporcionando uma vista única dos “gigantes adormecidos”.

3. Experiência de hospedagem única

O refúgio é conhecido pela atenção aos detalhes e pela proposta de “desconexão”:

  • Acomodações: de bangalôs rústicos com lareira à famosa suíte cubo de vidro, que permite dormir “dentro” da floresta, tem opções para diferentes grupos e bolsos.
  • Nada de TV nos quartos: o foco é o som dos pássaros e do rio, promovendo um descanso real (embora haja Wi-Fi de boa qualidade, que a gente até esquece de usar, porque não dá tempo — nem vontade).
  • Gastronomia: o restaurante é muito elogiado, com foco em ingredientes locais, pães caseiros e refeições que lembram a “comida da fazenda”, mas com toque gourmet.

4. Sustentabilidade e bem-estar

O local faz parte do Geoparque Mundial da UNESCO Caminhos dos Cânions do Sul. Oferece ainda:

  • Área de Lazer: sauna a lenha, ofurô, serviço de massagem e um “balanço infinito” com vista para as montanhas.
  • Day Use: se você não quiser se hospedar, pode pagar uma taxa para passar o dia e usar a estrutura de trilhas e restaurante.

5. Faça chuva ou faça sol

A experiência pode mudar drasticamente com o clima. Dias de sol garantem as melhores vistas, mas a neblina e a própria chuva fazem parte do charme místico da região. Para quem curte frio e vinho, os meses de inverno são mágicos; se a preferência é por banho de rio e cachoeira, o melhor é entre novembro e março. Nos nossos cinco dias choveu durante boa parte do tempo, mas isso não atrapalhou nossos planos. Inclusive, fizemos a Trilha Malacara debaixo d’água (e foi incrível).

6. A gente se sente em casa

Mesmo para quem não tem uma amizade de mais de três décadas com os guardiões do Repa, a sensação é de estar em casa. Quem quer ficar no próprio canto curtindo a solitude não se sente obrigado a participar de nada, mas o clima é de troca. Depois do segundo dia, cada um meio que inevitavelmente acaba encontrando a sua turma. E eu acho que esse é o ponto que mais faz com que tanta gente acabe voltando pra lá.