Como definir onde acaba a negociação e começa a pechincha? Pela minha régua, é no limite do respeito ao trabalho do outro.
Entendo que em algumas culturas a pechincha faça parte do negócio, mas não gosto disso. Se digo que meu trabalho vale x, é porque pensei nisso com cuidado e acredito que valha. E parto do princípio que os outros fazem o mesmo. Nada contra, até tenho amigos que pechincham, é que não tenho nenhum talento para a coisa mesmo.
Como cliente, já deixei de comprar muita coisa porque me dei conta de que o vendedor estava pedindo a mais pra poder “dar desconto” depois. Sei que em alguns mercados (de imóveis e carros, por exemplo) é até o padrão. Pessoalmente, salto fora. O máximo que faço, quando preciso muito da coisa é perguntar “tá, e qual é o valor real?” com cara de poucos amigos. Às vezes funciona.
Uma das maiores dificuldades que enfrentei no começo da carreira de autônoma foi a precificação do trabalho que realizo. Hoje, sabendo o quanto vale (e custa) a minha hora, estou sempre disposta a negociar valores (e negocio frequentemente). Mas, garanto, nunca vai ser porque estou pedindo mais “pra ver se cola”.
O que pode me fazer reduzir o valor de um orçamento:
- Interesse no assunto
- Prazo tranquilo
- Potencial/promessa de mais trabalhos no futuro
- Amizade (sim, faço isso)
O que costuma gerar aumento de orçamento – ou, como costumo chamar, “taxa de desaforo”:
- “Eu mesmo ia fazer, mas estou sem tempo.”
- “É só uma revisadinha.”
- “O prazo? É pra ontem.”
- “Ah, é só usar a IA.”
A querida leitora, o prezado leitor concorda? Ou é do tipo que curte o teatro da pechincha?
